PAL01
INF Os campos, está aí tudo, tudo por cultivar. (...) O arvoredo vai-se perdendo por causa (...) da falta da cultivação. (...) E as sementeiras também não dão, porque as despesas são muitas.E hoje, isto vem tudo mesmo pela natureza, sabe. É porque antigamente semeávamos as terras e nascia erva útil para os animais. E, então, era bom a gente aproveitar aquelas ervas para os animais. Sustentávamos os animais (...) da terra, tanto das ervas como, sim, a palha (...) dessas sementeiras. E hoje (...) há umas ervas que não deixa criar as tais ervas que eram úteis para os animais e não deixa criar as sementes que a gente semeia - que é uma erva que lhe chamam a erva-azeda. Quer dizer, aqui (...) na nossa zona chama-se erva-azeda e chamávamos, também, campainhas. E, noutros sítios, tem (...) um outro nome. INQ É aquele das flores amarelas? INF Pois. (...) E quem foi que semeou essa semente? Apareceu. Aqui há anos, nascia aqueles pezinhos de erva aí nos barrancos, nas correntes de água, entre meio das silvas, às vezes por baixo de uma figueira.E agora, há aqui de uns cinco ou seis anos para cá, (...) é a terra toda tapada daqui ali. E as outras ervas não nascem; não se criam, porque aquela não deixa. E a gente vamos semear as terras, vem aquela erva, abafa as sementeiras e já não se cria. INQ Pois, pois. INF Ora, é claro, isto é o que se está a ver. Eu, pelo menos, vejo assim. Vejo que isto é mesmo da natureza.
PAL02
INF Pois eu - para te explicar melhor - tinha aí alguns bocadinhos de terra e (...) estava limpo. Nascia as tais ervas que era úteis para os animais e essas ervas desapareceram e assim, de repente, a terra se tapou toda da tal erva. E então, diziam: "Ah, mas"... Dizendo eu: "E quem trouxe essas sementes para aqui"? Dizem outros: "Ah! Foram os ratos, trouxeram as sementes". Qual era o rato que trazia - assim como um bocado que eu tinha ali em baixo que já o vendi até, porque não me dava resultado - qual era (...) o rato que trazia, às costas, (...) dois ou três sacos de sementes?! É mentira, não pode ser! Não há rato nenhum que faça uma coisa dessas! Só daqueles ratos assim (...) maiorzinhos. Ora, é claro!Já se vê que aquelas coisas é nascido mesmo pela natureza. Nasce aí num telhado, nasce também aquela erva ali por uma rachazinha (...) na parede, muitas coisas assim. Quem é que traz essa semente? Dizem eles: "Ah, foi o passarinho que trouxe". Então no tempo que havia tantos passarinhos, de todas as qualidades - que hoje quase que não há passarinhos; só para aí desses pardais, aí, do telhado - nesse tempo (...) , o passarinho não trazia sementes. Ora, é claro. Outros dizem que é do vento. Noutro tempo, (...) havia uns temporais mais fortes do que há agora - não traziam sementes daqui e dalém. Mas agora, há umas terras (...) que se cultivavam ou que se cultivam ainda (...) ou que se cultivavam muitos, muitos anos; e, então, não nascia umas certas ervas. Há aí (...) uma moita, que se chama táguedas; e, então, deixa-se de cultivar esse terreno um ano ou dois; assim, nasce todas aquelas moitas. Donde é que vieram essas moitas? Foi o vento que trouxe de aonde? A semente, trouxe de aonde? Foi o passarinho que trouxe dois ou três sacos daquilo no bico para...? Não! Qual é o passarinho que pode com uma coisa dessas? É mentira, pois é claro. Portanto, a natureza é que forma isto tudo.
PAL03
INF Por acaso tenho um filho ali em Alcantarilha e que está lá uma horta - que era da mulher, é claro. E quando ele casou, (...) eu ia para lá e tratava daquilo. Mandei charruar um tractor dois canteiros de terra - mais compridos do que isto, é claro e mais largos - que nunca era semeado de regadio, era de sequeiro. E de maneira que semeei lá uns nabos (...) e uns rabanetes (...) e outras coisas mais - principalmente; não vale a pena estar a citar muita coisa. Semeei (...) umas leiras (...) de rabanetes. Precisamente, a estrema como o sol faz de sombra, assim era, suponhamos, a leira do sequeiro com a parte (...) das leiras que fiz no regadio. E então, os rabanetes nasceram. Mas não tinha aonde é que se pusesse uma agulha que não picasse numa tal erva dessas (...) que eu digo que nasceu. Porque é que nasceu aqui, na leira? (...) E de fora da leira para além, a terra é limpa como tem estado sempre, há tantos anos? Mas como foi que nasceu? De aonde é que veio aquela erva? A semente daquela erva, para nascer ali (...) (...) na parte da leira? Mas como? Mas como é que veio isso?
PAL04
INF Numa outra ocasião, houve uma partilha duma propriedade, de entre herdeiros, aí em baixo, ao pé do mar. E, então, um queria por aqui; outro queria por ali e tal. Um, que ficava melhor; outro, que ficava pior e tal, tal, tal... E foi um escrivão das questões fiscais - das Finanças - assistir lá a essa partilha, por interesse das finanças. E: "Ó homem"! - diz ele para um, (...) para aquele que se encontrava prejudicado - " Homem, o quê, homem?! Então você não vê que esta parte aqui que é boa, homem?! Então você não vê?! Assim com uma árvore destas, carregada (...) de fruto"! Uma daroeira, não sei se a senhora conhece. INQ Sei, sei, sei, sei. INF Uma daroeira. Ora, (...) um empregado nas finanças, um homem (...) que estuda, ou que estudou, para adquirir (...) aquele lugar; e dizer a um analfabeto, dono da propriedade, que ele que ficava bem com só aquela (...) árvore carregada de fruto - uma daroeira, com aquelas bagas. Ora, é claro. Ora, (...) isto é aqueles que se estudaram.
PAL05
INF Veio da tropa. E, então, queria ir para a tropa que era para aprender a falar;que (...) na tropa aprendiam a falar. Mas, aprendeu (...) a falar - iam ali para Lagos, para a tropa - e depois (...) quando vinha a casa, a fim para aí de um mês ou dois, vinha falando a uso de Lisboa. Mas não era aquela fala de Lisboa - não era aquela fala - mas diziam eles que era fala de Lisboa. Aprenderam aqui em Lagos! De maneira, estava ele na estrada nova, na rua do tio e estava (...) uma roupa estendida, lá em cima (...) das moitas - quer dizer, das tais daroeiras. (...) As mulheres iam lavar logo àquela poça e, depois, estendiam a roupa, por cima das moitas. Diz ele: "Sim senhor, oh, que linda terra que está além! Deixaram-me uma terra daquelas, umas tomateiras tão lindas, tão grandes"! Umas daroeiras! E chamava-lhe ele tomateiras! Sendo ele criado aqui, talvez aí, (...) vá lá, a uns quinhentos metros da distância (...) da casa do tio. Tinha ido para Lagos, (...) para a tropa e veio com aquela peripécia muito boa, muito bonita. Ora, é claro, são estas coisas assim que eu tenho visto! Ora, é claro. Conheço - eu já tenho quase cem anos - (...) e, então, tenho conhecido (...) muitas partes, muitas partes destas. E isto fica-me tudo aqui. Enquanto os outros ouvem as coisas, ou vêem, (...) e de si mesmo não têm inteligência, muitas vezes, para descobrir qualquer coisa - julgandem-se eles inteligentes! - e eu, como sei descobrir qualquer coisa e não sei ler, pois sou bruto, sou parvo. Ah, mas eles, eles que se vão governando lá com a inteligência deles, que eu mesmo cá para comigo, (...) sei eu, muitas vezes, orientar a minha vida e tenho-me orientado, talvez melhor do que esses que sabem muito e que sabem ler. INQ1 Pois claro. INF (...) Eu , hoje, já não acerto já bem, que a minha cabeça (...) já está fraca. Mas esses rapazes que discutiam comigo - (...) esses estudantes - a propósito de muitas coisas, nunca me venceram.
PAL06
INQ1 Mas o que é? INQ2 Mas o que é? Que erva é? INF Chama-se isto arruda. INQ2 Arruda. INQ1 Ah! É aquela que cheira muito mal? INF O quê? INQ1 É uma que cheira muito mal? INF Pois. Cheira mal (...) mas, para mim, cheira-me bem. INQ1 Então conte lá. INF O quê? INQ1 E o senhor anda sempre com ela no chapéu, ou o que é que faz com ela? INF Isto anda aqui no chapéu (...) para evitar o gripe, para evitar a febre, dores de cabeça, todas essas coisas assim. E as pessoas, como dizem que cheira mal, não querem saber nada disso. Não, não. Eu , para mim, cheira-me bem.
PAL07
INF Ora, no outro dia, ia para (...) ir vê-la, chega logo o homem (...) da agência, que me veio participar que ela que tinha morrido. E pronto. Em vendem a pessoa assim ou com uma idade (...) ou mal ou qualquer coisa, uns têm consciência, outros não têm. Não é o doutor.
PAL08
INF Por acaso, tenho-me defendido daquilo que sei. Assim, uma doença, (...) um chá, uma coisa. Porque isto (...) é assim; esta questão (...) , de chá, de doenças, disto e daquilo, de muita coisa - ele (...) há cura para tudo. O que é preciso é a gente dar com elas. Agora, muitas vezes, é entregarmo-nos só às mãos do doutor. Não. Isto não é condenar o doutor. INQ Pois. INF Os doutores, (...) eles, os homens não são culpados. Os homens estudaram. Mas (...) os medicamentos, (...) vêm os viajantes, vêm com as amostras (...) e, então, depois dali e tal, tal, isto é para isto, isto é para aquilo e é para aquilo e os homens, sobre os dados que o doente dá, assim eles receitam. Mas receitam, não foram eles que fizeram os medicamentos, não são eles que fazem, é o que está na farmácia. Será bom? Não sei. E depois, (...) aquilo falha: "Olhe, isso ponha de parte, agora vamos a experimentar isto". E vão à experimenta. Pronto. Os homens coitados (...) não têm culpa. Não se pode condenar (...) o doutor.
PAL09
INF Pois, as pessoas vão com a moda que vem além de longe. É porque aqui, antigamente, essa história do peixe, agora ouvíamos falar que em Lisboa que as varinas apregoavam lá carapau e aqui era charro. Agora, as mulheres, mesmo daquele charrinho pequenino, assim, (...) também lhe chamam carapau. E, então, charro já não se usa.
PAL10
INF E então, com um charruete, com (...) uns tirantes, uns animais (...) a puxar, aqui lavrava-se. (...) Com um animal só. Agora, com os tractores, os tractores vão lavrar, aquilo prejudica o arvoredo, prejudica a terra. Com o peso (...) do tractor, acalca ali a terra. E andam com os ganchos a arranhar por cima e por baixo está mais acalcado que esta calçada. E (...) as raízes do arvoredo, aquilo rebenta aquilo tudo. Portanto, tudo para evitar de se gastar dinheiro. Por outro lado, os pais tinham, suponhamos, dois ou três filhos ou um ou fosse lá o que fosse, o pai já estava cansado e era os filhos que faziam esse serviço, esse trabalho. Ou seja aceifar, ou seja todas essas coisas. Recolher, recolher os produtos. E agora não. O filho criou-se, foi para a escola e da escola foi estudar para outra escola maior e depois empregou-se.
PAL11
INF Não há quem semeie; não há quem vá fazer esse serviço porque (...) ele está tudo muito caro e não há quem faça. Mesmo pagando o dinheiro, não há quem queira ir fazer. Só porque querem trabalhar aí (...) nas coisas, nas obras, aí na construção. Trabalham mais do que trabalhavam aí no campo. Mas consideram eles o trabalho aí nas obras. Consideram aquilo um emprego (...) de estado. INQ Mais importante. INF E de maneira... Nem para eles, eles semeiam. Nem para eles! Onde é que eles mesmo trabalhandem trabalhando , em ganhando o dinheiro, podiam semear alguma coisinha para eles. Enquanto comiam daquilo que eles recolhiam, estavam a gozar daquilo. Mas não: "Eu , tenho muito dinheiro. Ah! Vou-me à praça (...) e é mais barato do que andar trabalhando e coiso e tal". E não querem. Já ninguém quer trabalhar. De maneira que (...) os campos estão todos abandonados. Ninguém já faz nada.
PAL12
INF Toda a minha vida, ouvi falar que o mundo, antes dos dois mil anos, que acabava. E muita gente diz: "Não acaba". Ele tem sido - da forma que eu tenho conhecido isto - todos os anos pior, todos os anos pior, todos os anos pior. E as coisas, como os profetas diziam, assim tem ido. Sim, (...) tem-se ido passando. E então, quer dizer, o mundo, (...) isto, isto não acaba. Mas isto não teve nem princípio nem fim. Mas quero dizer o seguinte: é de nossa vida - bem, eu penso nisto (...) porque tenho ouvido dizer - a nossa vida acaba. Ou seja em fome, ou seja em guerra, ou seja lá como for, acaba. E depois, o passar disto; e depois, vem outra geração fazer vida novamente. É claro. E esta vida que nós estamos aqui, agora - que há mil e tantos anos, bem, que temos esta vida - virá outra doutra família, (...) doutra geração, formar isto novamente. E isto vai-se aproximando. Tudo quanto os profetas disseram e escreveram, aquilo (...) tem-se aproximado tudo.
PAL13
INF E aquela mulherzinha dizia: "Ai meninas! Isto há-de vir esse tempo; há-de vir essa grande grandeza. E depois, quando estar tudo na maior grandeza, olhe que há-de vir tudo para baixo". Quer dizer, vir outra vez à miséria. Ele vai caminhando para isso. Pelo menos, os campos (...) já não produzem nada, já não produzem nada. (...) A fome tem que vir. E de maneira: "Olhe, há-de vir tempo que as mulheres hão-de andar com os homens, como os galos andam com as galinhas". Realmente. E é assim. "Olhe, não há-de se conhecer os homens das mulheres"! Pois, muitas vezes, não se conhece. Vão aí, vêm quatro, cinco, seis, tudo (...) com o mesmo fato. Não se sabe. E o cabelo curto (...) também. Não sei já qual é o macho nem qual é a fêmea. E, às vezes, anda aquele rebanho junto, (...) e, depois, às vezes, vão dormir pensandem (...) que são todas fêmeas e há (...) algum macho ali no meio!
PAL14
INF Mas há aí um homem, que mora além daquele lado daquele serro, que me tem contado isto algumas vezes. E depois, um dia, ele estava-me contando isso e, depois, chegou a mulher e ele perguntou à mulher. A mulher confirmou que, realmente, era verdade o que ele estava dizendo. Além, para São Bartolomeu, havia para lá (...) um lavrador, um proprietário, que tinha muito trigo para ceifar. (...) Foram ceifar o trigo naquele dia. E tinha - lá naquela herdade - tinha lá uma casinha. E então, ele foi e diz: "Ó moço, olhe, não se ceifa. Isto está o tempo aí de chuva, águas brandas. E, então, depois vamos atar o trigo, isto tudo molhado, depois isso amolece. Ah, não se ceifa"! (...) Disseram eles assim: "Ó senhor Fulano, o melhor é a gente ceifar. Pode vir para aí alguma água forte que, depois, deite o trigo abaixo. E, depois de o trigo estar em baixo, (...) é mais mau de ceifar e pode prejudicar mais". "Eh, não. Isto, nem Deus nem o Diabo leva nada daqui"! Disse ele esta palavra. Que eu não gosto de dizer esta palavra que eu disse. Eu não gosto de falar nesse nome. E de maneira, começa a chover, ele abrigou-se aqui no vão da porta. Veio o vento, levou o telhado. E ele ficou (...) aqui no vão da porta, entre as paredes, (...) abrigado. Acabou de chover e foi ele ver o trigo. E vê A ver o trigo, que ele (...) só fazia assim. E ele não queria saber nem de igrejas, nem disto, nem de coisa nenhuma. Não queria saber de nada. Andava a ver o trigo e só fazia... A ver... A ver o trigo dele, rasinho, tudo traçado, no chão e a seara dos vizinhos toda boa. "Ora esta"! Ele só abanava a cabeça, de ver os vizinhos (...) tudo bem e a dele tudo raso com a terra. Foi para casa. Não disse nada. Foi para casa, mandou a família se ir vestir. "Mas para quê, homem"? "Vistam-se lá, vistam-se lá". Puseram-se a cavalo na carrinha, a cavalo da carrinha, sem saber para onde iam. E, depois, chegaram lá ao povo de São Bartolomeu, volta a carrinha por o lado da igreja. E foram para a igreja. E a família, a mãe, (...) a mulher e os filhos admirados daquele trabalho. Ele não dizia nada. Se ele é vivo, ainda hoje diz que vai à igreja. Mas não deve de ser vivo.
PAL15
INF Isto (...) é as tais obras que os antigos faziam. Que os antigos... Já vamos adiantar outra vez coisas antigas. É que os antigos não sabiam ler, mas faziam obras bem feitas e obras importantes - umas em pedra, outras em muitas coisas; faziam. E, hoje, (...) os modernos vão todos para a escola, vão aprender oficinas, muitas coisas. Mas não se vê, hoje, obra (...) nenhuma importante como se via as obras que os homens - os analfabetos - faziam noutro tempo. Portanto, já fizeram aquilo (...) . Eu calculo que já vi ali o lugar onde é que esta pedra tinha sido assentada. INQ1 Sim, mas era aqui na igreja? INQ2 Dentro da igreja? INF (...) Pois, pois. O que é, é umas coisas que eles estão a desmanchar. Estão a desmanchar aqui uma parede. Uma parede que vai aqui, que vai aqui assim. Uma paredinha, que divide com esta casa. E então, agora, vão desmanchar esta paredinha para fazer esta casa corrida, até ali ao fim... INQ1 Mas isto faz parte da igreja? INF É dentro da igreja. Dentro da igreja, quer dizer, tem a porta lá para o outro lado. Que é para fazer aqui uma casa para habitar os que já morreram. Esta agora é dita por graça, também. É para fazer uma casa (...) mortuária... INQ1 Mortuária. INQ2 Uma casa mortuária. INF Exacto. É, mas eu como não sei dizer, disse logo assim.
PAL16
INF Às vezes, até quase que me incomoda de, às vezes, eles, às vezes, dizerem coisas... (...) Principalmente esses que mais têm estudado são (...) os que mais asneiras dizem. E eu aproveito mais depressa. É assim como eu, suponhamos assim: eu não sei ler, não posso proferir uma palavra com as letras todas, com as letras naturais, como um que ande na escola e que lê o jornal e que lê isto e que lê aquilo e que não erra. Dizem as palavras, muitas vezes, com as letras todas. E eu posso dizer as palavras com falta de uma letra ou com uma (...) a mais, também. Mas, se as pessoas que me compreendem, podem dizer: "Não" - eu proferi esta palavra, a palavra não é assim - "mas ele não sabe ler, pois ele é anda convivido com o pessoal igual a ele, aí no campo, nesses meiozinhos pequeninos, portanto, não é asneira o que ele diz". INQ1 Mas é que é isso mesmo. INQ2 É isso mesmo que o senhor está a dizer. INF (...) Pois é claro. Agora, aquele que sabe ler e que estuda e que tem a mania de querer saber falar... E, então, há uma moda de falar, como agora nestes últimos anos; eu tenho conhecido, já, modas no falar. Quer dizer o seguinte: vem uma moda - não sei se me estão a compreender bem aquilo que eu quero dizer - vem uma moda de citar umas certas palavras que não se citava noutro tempo e que não existiam essas palavras. E agora, fazem uso daquela palavra. E depois, (...) em um começando (...) com aquela palavra, todos vão empregar aquela palavra aonde é que não faz sentido, aonde é que não tem lugar. Diga-me a mim, aquelas palavras, (...) INQ2 O senhor, o senhor é muito atento a ver as coisas. INF aplica-se (...) essa palavra no lugar preciso, aonde é que se deve de empregar. Mas não. Por qualquer coisa, empregam aquela palavra, que (...) não nem é própria. Mas, por moda, por moda, empregam aquela palavra. E eu, é claro,e eu, às vezes, mesmo na televisão, às vezes, começam aí eles a falar, a falar e eu, aqui, (...) a ver se aproveito aquilo. E, à vez às vezes , já tem aparecido homens assim a falar; dizem para ali asneiras que não sei de aonde é que vem tanta asneira! (...) E depois, digo eu, eu , às vezes, fazendo assim uma conversinha e dizem eles: "Não, pois aqueles homens (...) que falam e que não se percebe, só aqueles homens é que sabem falar". "Ah, sabem falar e dizem aquilo que não se percebe"? "Não, (...) só que eles é que se percebem. Agora , a gente não os percebe". Não, pois o homem, desde que saiba falar, fala para que todos o percebem. INQ1 Claro. Senão não vale a pena a gente estar ali a ver a televisão, eles a falarem para a gente, não é?! INF Rhum-rhum. E de maneira que, às vezes - lá, lá longe - aparece um a falar natural, como (...) apareceu, aqui há anos, um fulano, Armelindo não sei o quê e falava natural, na televisão. E ele assim: "Ah, (...) aquele fulano é bruto"! "Então porquê, homem ? Então o homem não está a falar bem"? "Não, pois então o homem está a falar para toda a gente perceber! Está a falar para toda a gente perceber, é bruto! Agora, (...) aquele que fala, que não se percebe, esse é que é um homem inteligente"! "Ah, bom! Então o homem não está a falar bem? Então, já não os percebo eu é a vocês. Então, se dizem que aquele que fala que não se percebe, que é esse que sabe falar e agora aquele que está a falar bem, natural, para toda a gente perceber, dizem que fala bem também. Então, não sei. Não sei qual é que fala bem".
PAL17
INF Agora, para aqui, o outro ano, viemos aqui à igreja, a uma reunião - uma reunião a respeito da festa, de fazermos a festa. Bem, o padre chamou a gente para vir, para reunirmos aí (...) a respeito da festa, pronto, mais nada. E então, nessa altura, vieram dois rapazes fazendem parte, rapazes novos e eu e mais um outro é que éramos os velhos (...) ... Fomos a gente que fomos da iniciativa de se renovar a fazer a festa novamente. Que eles em escangalhandem, (...) em escangalhandem isto e depois chamem chamam para a gente ir levantar o que eles deitaram abaixo. Não sei se me compreende. INQ Sim, sim. INF E depois, em tendo aquilo já mais ou menos aquilo , são eles que fazem e a gente (...) : "Ora essa é , tinha que ser. Hum! E então aquilo "! E, então, começou o padre e esses dois rapazes: " Cooperar, cooperações, cooperar, cooperações". Não citaram mais palavras nenhuma. Não sei que reunião foi aquela.
PAL18
INF Pois não vêem que eu gosto de aproveitar aquilo que eu vejo. Aproveitar não, aproveitar não. Aproveitar em ouvir (...) para ver se eles estão a falar bem ou se estão a falar mal. Mas eu é que não é caso para achar que as pessoas estejam a falar mal, porque não sei ler; não sei ler. Pois, (...) não acho que eu vá notar um defeito naquela pessoa instruída. Hum? INQ1 Mas nota-se, às vezes nota-se. INQ2 Mas nota-se. Mas é porque o saber ler não ensina tudo. E o senhor bem sabe disso. INF Não;mas é que eu tenho por obrigação dizer asneiras por não saber, muitas vezes, pronunciar bem a palavra, com esta ou aquela letra e isso e assim e assado. Pois, está bem, isso é que é asneira. Mas passo a não dizer asneiras. Passo a não dizer asneiras porque estou falando com a minha linguagem, INQ2 Claro. Exactamente. É isso. INF com a minha linguagem (...) . Com quem eu (...) vivi;sim, convivi; (...) tudo com pessoas (...) atrasadas, como dizem. Dizem (...) que os antigos que eram todos uns atrasadinhos. Mas, por causa (...) dos atrasados, vou citar mais uma palavra. E, assim, (...) vou indo, vou sempre dizendo.
PAL19
INF E eu, naquela conversa, naquela conversa, digo assim: "O quê? Vocês estão para aí a falar mas vocês não sabem o que dizem, homem". "Mas homem "... "Ouça lá, homem, explique-me lá isso: como é que as nuvens se formam para chover e como é que elas se desformam? Sim, o tempo está limpo, mas agora formou-se aqui uma nuvem e foi, foi, foi, foi e choveu. Como foi que essa nuvem se formou? E como foi (...) que adquiriu água para chover"? Responde o tal, (...) o tal fadista: "As nuvens formam-se (...) e chove com o bafo da nossa boca". Começa: "Ha, ha, ha, ha. E formam-se aquelas nuvens com a saliva. É as pingas de água". Digo eu : "Sim. É verdade. Acredito. Porque no dia da feira de Agosto, em Portimão, o pessoal é muito; começa tudo a bafejar, a bafejar, com o calor e forma-se (...) aquelas tempestades e chove. E Como no Inverno, anda a gente - toda a gente - com o bafo encolhido, por isso não chove". (...) E fui-me embora. Oh, pois é claro. Ora, é claro, se as nuvens se formam (...) e vai, vai, vai e se dispersam. Às vezes, começo eu assim a olhar - formou-se, além, umas nuvenzinhas - começo eu a olhar, a olhar, a olhar, a olhar, a olhar e vai, vai: (...) umas, se é para se formar, vão-se (...) formando maiorzinhas e outras vai, vai, vai, vai, vai, desfaz-se em vento e pff, ficou sem nada. Mas (...) , sobre isto também eu tenho olhado para muito. Mesmo o céu está alto, mas o meu olho ainda... De maneira que eu não sei. Ora eu, andandem na escola, se é que o professor (...) com quem eles estudaram, se é que ensinou aquilo assim, pois não tenho dúvida que é um professor inteligente.
PAL20
INF Ouvem coisas dum atrasadinho, não é? INQ1 Não, é de uma pessoa que pensa muito sobre as coisas. INF Mas o que digo é certo. INQ1 Pois. INF Digam lá o que disserem de mim, mas eu não erro numa palavra. O que pode encontrar aqui é palavras mal proferidas por (...) falta (...) de letras, não é? Não serem as palavras... Mas (...) , não devem de andar muitas, não devem de haver muitas com muitas faltas. INQ1 Não, não, não, não. Não senhor. INF É. INQ2 Não senhor. INF Porque é o seguinte, sabe, é porque há pessoas que dizem uma palavra que não é próprio. (...) Não é bem assim. Houve uma falta de letras ou com letras a mais ou qualquer coisa, conforme o hábito de falar. E, nessa altura, há além um outro e repreende. E, às vezes, ele repreende ainda para mais mal. Mas, embora ele repreender para bem, (...) admite-se, é claro. E, então, essa pessoa parece-lhe mal: "Oh Dom , você sabe mais do que eu, ou isto ou aquilo ou aqueloutro ". Parece-lhe mal. Eu não. Nunca me parece mal o que se me repreenderem numa palavra que eu proferisse mal. (...) Antes pelo contrário, agradeço. Porque se (...) eu errei; (...) quer dizer, errei, não foi bem um erro. Foi porque não sei ler e, então, não disse a palavra... (...) Nasci neste meiozinho pequeno, que até mesmo (...) o professor que eu tinha aqui - e a professora, que tínhamos aqui, e, às vezes, a falarmos uns com os outros - também dava, às vezes, um pontapé bastante grande. Embora falassem bem com outras pessoas mais coiso mas a falarmos uns com os outros, muitas vezes, lá vai, com o hábito da convivência. (...) E então, é muito natural, a gente, a convivermos com os outros aqui no campo, pois a gente não sabe, muitas das vezes, quase nada.
PAL21
INQ Quando, quando vão cultivar um campo, como é que o dividem? INF1 Cultivar? INQ Sim. INF1 Bom, conforme. Se é lavoura, é com o arado, com uma besta ou com uma parelha. INQ Mas para plantar coisas...? INF1 Para plantar uma árvore? INQ Para plantar... Pois. Não, para fazer sementeiras diferentes, por exemplo. INF1 De couves, de milho. INQ Pois. INF1 Tem que ser lavrado. INQ E dividem a terra e dividem a terra, ou não, em partes diferentes? INF1 Não. INQ Então explique-me lá como é que é. INF1 (...) A gente quando vai semear o trigo é que talha a belga. A belga pode ser de seis passos ou de oito passos. INQ Sim senhor. INF2 Oito. INF1 Oito. INF2 Oito, em geral. INF3 Oito, em geral. INF1 Oito, em geral. Mas há muita gente que não apanha assim bem, apanha com seis... INF2 Mas vai ver que vai sendo dito que usam depois o meio. INF1 Pois. Por isso, a belga é para semear o trigo ou a cevada ou a aveia, (...) é que se talha a belga. INQ Sim senhor. Olhe e o terreno, a divisão que se faz do terreno duma pessoa para outra, como é que se marca, com quê? INF1 Com umas pedras - uns marcos - chama a gente os marcos. INF2 Pronto, é a partilha. INQ Diz-se que aquela linha ali é a linha de quê? INF1 Pois. É a partilha (...) da propriedade. INF2 É a partilha da propriedade. INF1 E o marco, para direito da linha, tem que se ver um outro.
PAL22
INQ Está a? INF1 A enregar, enregar a belga. E (...) outros dão uma aradada, marcam com o arado. INF2 Pois. INF1 Outros pegam (...) no arado, está marcado dum lado, está marcado do outro, depois dá-se-lhe um rego, que é para saber onde é que chega. INQ Sim senhor. E também chamam a isso enregar? INF1 Enregar. INQ Nunca chamam margear? INF1 Não. INF2 Não. Margear, no Alentejo é que usam isso - que era também o antigo à margem. Hoje, já não há margem. Hoje, é tudo semeado a tractor, fica tudo direito. No Alentejo é que era à margem. Que eu ainda fui algumas vezes ao Alentejo, à ceifa. INF1 Olha, porque, no Alentejo, marcavam... Aquilo eram muitas. (...) Tinham só o pessoal só somente para enregar (...) . Depois, era só lavrar, (...) tudo à margem, (...) a rego aberto. INF2 A gente cá não. INF1 A gente não. A gente aqui tem que ser na lavoura corda. Se não levarmos a lavoura corda, depois fica um camalhão duma parte à outra, é só erva. INQ Pois. INF1 É preciso a gente também compreender que nem todos os terrenos (...) são iguais. INQ Pois, pois. Sim senhor. Olhe, portanto, quando o, quando eles andam a deitar aquilo na terra, diz que estão, a deitar o trigo para a terra, diz que estão a quê? INF1 À mão-cheia. (...) INQ À mão-cheia é o quê? INF2 Semear à mão-cheia. INF1 Assim, é à mão-cheia. Conforme vai jogando, joga à mão-cheia. INF2 Seja trigo, seja cevada (...) . INF1 Seja ele trigo ou cevada ou aveia. INQ Hã? INF1 Seja trigo ou cevada ou aveia. Joga-se à mão-cheia. INF2 Semeia-se à mão-cheia. INF1 E quando é o rego, é à linha. INQ Mas isso é para o, só para o trigo? INF1 É a mulher que vai semeando. (...) Trigo ou cevada ou aveia, é a mesma coisa. A mulher vai semeando o rego e vai jogando assim. E à volta, para lá leva trigo, para cá traz o guano. INQ E para o grão, por exemplo, também pode ser assim? INF1 O grão, é o golpe. INQ Que é com o... Põe-se lá mesmo? INF1 Não. Vai-se pondo um golpe aqui, outro golpe além; vai-se pondo, passo a passo. Por exemplo, não chega a um passo, vai-se pondo dentro do rego, quatro, cinco grãos; quatro, cinco grãos e vai-se pondo. E depois volta-se para cá, vai-se pondo o guano.
PAL23
INQ O senhor quer andar a cavalo num burro, o que é que lhe põe em cima? Para segurar? INF Ponho a sela, ponho a albarda ou põe-se o selote. Ou sela ou albarda ou selote. INQ Pois. Mas antes de pôr a albarda em cima do burro, põe...? INF Põe-se, às vezes, uma manta para evitar... INQ Ferir o burro, não é? INF Não é para ferir, é mesmo que favorece o animal. INQ Pois. INF Porque para albarda ou para... Seja um selim ou seja uma sela, é raro se ferir o animal.
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INQ1 Senhor Acilino, que nome é que dão aqui àqueles sacos, grandes, uma espécie de alcofas, grandes, em...? INQ2 Que se põe em cima do, do burro, para levar coisas dentro? INF1 Gorpelha. INF2 Pode ser o alforge. INF1 Não, é uma gorpelha. INQ1 Isso que eu estava a perguntar é que é, é que é a gorpelha? INF2 É uma gorpelha. INF1 Pois. Pois também é isso. INQ1 O que é que se leva lá dentro, é palha, não é? INF2 É um seirão. INF1 Leva-se aquilo que a gente lhe querer pôr. INQ2 É uma quê, uma...? INF1 Ou alfarrobas ou figos ou palha ou terra ou areia ou estrume ou (...) coisas . INF2 Pode ser uma gorpelha ou um seirão, para acartar estrume. Para acartar estrume ou terra ou areia ou isso. INQ1 Olhe, Senhor Acidino, em cima dos burros, para nós nos montarmos, põe-se uma albarda. E em cima dos cavalos? INF2 Em cima dos cavalos, é a mesma coisa. Para montar pode-se pôr uma sela, pode-se pôr um selim ou pode levar uma albarda, nas mesmas condições. INQ1 Está bem. INF2 Depende... INF1 Está bem . INQ1 Olhe, como é que se chama aquela...? INF2 Ou um albardão;também havia, antigamente, um albardão, INQ1 Pois, isso. É isso. INF2 que é uma espécie de uma albarda, o que tem é ser mais pequeno. INQ1 Como é que se chama aquela correia que passa pelo peito do cavalo e que prende a sela? INF2 (...) O peitoral. INQ2 É o? INF2 Peitoral. Ou peitilho. Mas eu, é o peitoral. INQ1 E a... Pois e a correia que passa no rabo do cavalo? INF2 A rabeira. INQ1 E como é que se chama o, o pano que se põe por baixo da sela? INF2 O pano? É uma manta. INF1 É as tais mantas. INF3 Não é. INF2 Não. INF1 É uma manta. INF2 É uma manta. E depois (...) . INQ1 Olhe, quando, quando se monta um cavalo... INF1 É uma manta mas, afinal de contas, ele há um pano que não tem o nome de manta. INF2 Está bem, mas (...) a gente aqui nunca tem isso. INQ1 Como é que é? INF2 Isso é na tropa, isso é na tropa. INF1 Não me recordo. Não me recordo. INF2 Na tropa é que têm. INQ1 Suadouro, um suadouro. INF2 Bom, o suadouro, usam em geral na tropa mas a gente aqui não. A gente aqui (...) ... INF1 Não, a gente lá na tropa usa sempre uma manta dobrada. INF2 Bem sei, homem. INF1 Mas eu já tenho visto, nesses cavalos de estimação, um preparo mesmo para usar debaixo da sela ou do selim. (...) Não sei o nome daquilo. INF2 A gente aqui , ninguém nunca tem. Isso, a gente aqui põe uma manta de algodão e prende-se assim. INQ1 Como é que se chamam aquelas peças em que se põem os pés, quando estão...? INF2 Estribos. INQ1 Estribos como? INF2 (...) Estribos de argola ou estribos (...) de alcatruz. INF1 Pois, exactamente. INQ2 Estribos de alcatruz, como é que é? INQ1 É uma caixinha. INF2 É uma caixa. INQ1 Onde se mete o pé. INF2 Mete-se o pé dentro. INQ1 É o que usam os toureiros. INF2 (...) Metade é que fica fora. Fica metade tapado. E a gente, depois, mete o pé e fica metade com o pé dentro e a outra metade está para que se houver um perigo qualquer, a gente INQ1 Claro. INF2 saltar de lá para fora. E esses aí, da argola, são mais falsos. Os da argola são mais falsos. A gente, às vezes, pendura. Fica às vezes pendurado, se o animal (...) é bravo. Às vezes, dá mau resultado. Porque é ele que salta e, ali, não tem tempo de tirar os dois pés e lá fica um pendurado.
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INQ O que é a rabaça? INF1 É uma espécie do agrião, mas rebenta a quem a come. INQ Ah! INF1 Quem come o agrião, aquilo é uma espécie venenoso. INQ Sim senhor. INF2 Como é aquela rabacinha que serve de mezinha. INF1 Serve. INQ A rabacinha? INF1 A rabacinha. INQ Como é que é? É parecida com a rabaça ou não? INF2 É igual. INF1 É igual. É também igual. INQ Mas que serve de mezinha para quê? INF2 Para o gado (...) . INF1 Para fazer (...) um chá, para fazer (...) uma coisa qualquer, para dar ao animal. INQ Mas para o animal...? INF1 Beber. INQ Mas quando ele tem o quê? INF1 Quando tem uma dor ou tem uma coisa qualquer, a gente depois dá. INF2 Um tinha um mal nos entrefolhos e, então, dei-lhe aquela mezinha. Foi um bocado de vela de cera de igreja derretida assim, aí umas duzentas e cinquenta de azeite, cinco ovos. Tudo batido, tudo mexido. Aí uma espécie (...) do volume de seis figos de triaga nossa. INQ De quê? INF2 Triaga nossa, torrada, feita em polme , que fica tudo naquele caldo. INQ Não sei o que é. INF2 Ora, é cocó. INQ Ah! INF1 É fezes, pronto! É fezes. INF2 E, tudo mexido e, depois, dar a beber ao animal com a tal rabacinha. INQ Pois. INF2 Que a gente planta-as aqui e sustém-se bem aqui. Não aqui; que aqui sustém-se muito calor. Mas aquilo (...) ... INF1 Aqui não, aqui não. Aqui, (...) quando se aguenta aqui, pode-se beber, pode-se fazer tudo perfeitamente. INF2 De maneira que o animal começou a beber, a beber, a beber, a beber, bebeu aquilo, começou a encher, a encher, a encher, a encher... olhe, não tinha mais pele. O homem disse-me logo - o Acílio - disse logo: "Você há-de desconfiar, mas olhe que ela tem de se pôr boa. Ela não sabe onde é que vai buscar pele para encher de vento". Esteve aí obra de uma meia hora até , talvez, muito gorda, muito cheia - pois ela estava magrinha, mas encheu a pele, arredondou tudo! INF1 Esticou, esticou a pele. INF2 Esticou. Assim começou a abater, a abater, a abater e ficou boa . (...) INQ Ficou boa, foi? INF2 Ficou boa. INQ Foi? INF2 Com o tempo, pôs-se boa. Que foi o animal daquela qualidade de gado vacum que eu vi vomitar foi aquela vaca. Conforme comia as camisas de milho - INF1 (...) INF2 assim inteiras e, depois, ao remoer é que remói - e então assim, conforme as comia, assim as deitava fora. E eu fiz esta fala e aqui o Doutor Acrísio, eu disse que haviam três qualidades de animal que remoíam e diz ele: "Não, há quatro". Ele disse-me: "Há quatro". INF1 Há a cabra, a ovelha, há o boi. INF2 É a cabra, a ovelha e o boi e o elefante. INF1 E o elefante não sabia eu. INF2 Pois ele é que me disse que o elefante que remói, tal e qual como a rês. INF1 Sim, isso não sei eu. Agora, estas três sabia eu. INF2 Pois, ele disse-me que eram quatro. E, diz ele que são essas quatro espécies de animal que tem folho e entrefolho. INQ Pois. INF2 Que era o mal da vaca era no entrefolho.
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INQ Olhe e para temperar, o que é que se...? INF1 Ou azeite ou a carne. INQ Pois. Não, mas aquelas, uma coisa que também se planta nas...? INF1 Sal. INQ Planta-se nas hortas, também, para, que serve depois para temperar, para cortar assim fininha? INF2 Cenoura. INQ Ou um raminho de...? INF1 Não, cenoura não. INF2 Salsa. INF1 Salsa, bom... isso não se planta nas hortas. Isso (...) planta a gente mesmo num alegrete, à porta. INQ Ai é? INF1 É raro aquele que semeia na horta. INF2 É a salsa. INQ Olhe e o... INF1 (...) Salsa ou coentro. INQ Ou? INF1 Ou coentro, que (...) é a mesma espécie - da mesma família, mas com a diferença que um é coentro, tem um gosto, (...) e a salsa tem outro. INF2 Pois aquilo é para gosto, não é para tempero. INF1 Pois, por isso é que eu lhe disse tempero e eu fiquei assim. (...) Cá está... De tal maneira, eu fiquei assim a olhar, porque aquilo não é tempero nenhum. INQ Olhe e para as... INF1 Tempero é azeite INQ Pois. INF1 ou o óleo ou, quando se tempera qualquer outra coisa, ou vai banha ou vai toucinho ou outra coisa assim. INQ Pois. Olhe e uma coisa também que serve para dar gosto às azeitonas? INF1 Azeitona-britada INQ O que é que se põe na...? INF1 ou azeitona-de-sal. INQ E o que é que se lá põe mais para dar gosto? INF1 Para dar o gosto, põe-se o azeite, põe-se o pimentão, põe-se... INQ Espere lá. INF2 Orégãos. INF1 Orégãos, mas isso é para a azeitona-britada (...) . INQ Como é que é? INF1 Azeitona-britada, põe-se o azeite, põe-se o sal e põe-se orégãos. INQ Mas também me falou noutra coisa, vermelha. INF1 Isso é o pimentão. Mas (...) para a azeitona-britada não se põe pimentão. INF2 Pois . INF1 A azeitona-britada não se põe pimentão. INF2 E nem azeite. INQ Na azeitona-britada põe-se o quê? INF2 E nem azeite. INQ Oregãos? INF1 Hã? Orégãos. Mas põe-se o sal. O sal tem que se pôr. INF2 Muito obrigado. O sal e orégãos. E orégãos! - para a azeitona-britada. Agora, as outras não... INF1 É o rei de todos os temperos. Pois. INF1 É as (...) azeitonas-de-sal. INQ Olhe, se for só um, é o quê? INF1 É uma azeitona. INQ Não, um, vários são vários orégãos, não é? INF1 Pois. INQ Um só? INF1 É um orégão. Põe-se um e é verdade que é um orégão. Não pode, não... INQ Desculpe lá, a gente tem que perguntar isto assim. INF1 (...) Se pôr mais um e se pôr o "s", já são orégãos. Só de pôr, só de aumentar. INQ É que a gente tem de perguntar como é que se diz só um e vários. INF1 E para a azeitona-de-sal, faz-se azeitona, chama-lhe a gente até azeitonas de baptizo ou de casamento. Isso leva pimentão e leva azeite e leva aquela coisa. INF2 Leva alhos. INF1 E leva alhos.
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INQ Olhe e o poejo, conhece? INF1 O poejo? Conheço. INF2 É. INQ Também há cá... INF1 (...) E dá um gosto bom e um cheiro muito grande. INF2 Aí há fartura. INF1 (...) Onde a gente vai que eles estão, já se sabe que se cheira-se logo. Não precisa de coiso. (...) INQ Então como é que chama? INF1 Poejo. É como a arrúdia. A arrúdia, chega-se onde é que estiver a arrúdia, já se sabe, INF2 (...) INF1 cheira logo. Mas a arrúdia então não é para comer, não é para coisa nenhuma.
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INQ1 Olhe, a chicha, que falou há bocadinho que é parecida com o griséu, é uma que tem uma, uma bainha larga ou não? INF1 Pois, tem. INF2 Chícharos. INF1 Chícharo. É bainha larga. INF2 Não é muito larga. INF1 Pois. (...) É laja. INF2 É, (...) é laja. Pode ter alguma, pode ter aí da largura disto. Pouco mais largo do que isto. INF1 Mas também, ele às vezes (...) . INF2 Pois, mas isto aqui... Mas é comprido. INQ1 Pois. INF2 Pode, às vezes, dar dois miolos, dar três, dar um, conforme. INF1 (...) Mas é assim ao comprido. Pois. INQ1 E costuma-se cozer mesmo com a bainha, ou não? INF2 Não. INF1 Não. INF2 Não, não. Só em verde. Só em verde. Sendo logo em verde, ainda não tem dúvida ; come-se bem com a bainha, mas já depois de seco, já não: tem que se comer só o miolo. INQ1 Ai, deixa-se secar? INF2 Pois. INF1 Pois. INQ1 E ficam assim umas coisinhas redondas... INF1 Pois. INF2 Não fica redondo. Fica assim um pouco compridinho. (...) Não é redondo. INF1 (...) INQ1 E coze lá dentro? INF2 Pois. Fica assim (...) um pouco achatado, assim compridinho. Uma espécie disto que está aqui, mais ou menos. INF1 Depois descasca-se. Descasca-se, come-se o bago. Faz-se no jantar. INF2 Cria até carneiros. Quando a fava vai à estufa, cria carneiros. INQ1 O que é carneiros? INF2 É um bicho. INF1 Carneiros é um bicho que cria dentro. É como à a fava e é como à a ervilha, também cria carneiros. INF2 (...) INF2 Pois. INQ1 Olhe e outra coisa também que se usa para comer com o bacalhau como é que se chama? Há bocadinho o senhor parece que disse. INF2 Para comer com o bacalhau? INQ1 Sim. Uns coisos redondos? INF2 Ah, isso (...) é o rábanos, o nabo, é o rabanete, é... INQ1 Espere lá, espere lá, diga lá. INF2 Nabo, rabanete e há o rábano. E há o rábano também. Mas o rábano é uma coisa comprida. INQ1 Pois. INF2 É comprida e depois corta-se, tira-se a casca. INQ1 E há uma que é assim cor-de-laranja, INF2 Pois. Isso é pequeno. INQ1 comprida. INF2 Pois. INQ1 Mas como é que se chama essa que é cor-de-laranja? Que é assim a modos que amarela? INF2 (...) É o nabo e há (...) o rabanete. INQ1 Uma outra, assim compridinha. INF2 Eu não me lembro disso. INQ1 Diz que faz bem aos olhos. INF2 Hã? INQ1 Diz que faz bem aos olhos. INF2 Ah, bem aos olhos faz ele tudo, (...) quando não haver pouca sorte. INQ2 Os coelhos comem essa, que você quer. INQ1 É. INF2 Os coentros? INQ2 Os coelhos gostam muito de comer isso. INF2 Os coelhos comem tudo. O coelho come tudo seja o que for. INQ2 Olhe... INF2 O coelho até pega nas amendoeiras, pega na oliveira, pega em tudo. INQ2 Mas é um legume que, que aparece aí muito nas hortas, portanto, cor-de-laranja, comprido, cor-de-laranja, INQ1 Que está enterrado, também tem que se tirar. INQ2 e depois tem assim uma folhagem verde. INF1 Ah, a gente aqui, se calhar, não semeia disso. INF2 A gente aqui não. INQ2 Oh, usam! INQ1 Ai, sabe. Já há bocadinho falou nisso até. INF2 Hã? INQ1 Já há bocadinho falaram nisso. INF2 Não me lembro agora o que seja. (...) INQ2 Por exemplo, na carne guisada põe-se. Põe-se disso. INQ1 É assim uma coisa comprida. INF2 Pois. INQ1 E depois até... INF2 A cenoura. INQ2 Isso. INF2 Eu queria dizer, (...) eu estava a ver, mas aqui não se semeia, não.
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INQ1 Olhe, às vezes, faz-se também uma mistura de trigo e de milho, como é que lhe chama? INF1 Fazem e de centeio. INQ1 Quando fazem mistura de trigo e de milho, como é que chamam a essa farinha? INF1 (...) É mistura. Está traçado. Traçaram o trigo com o milho, mas é mistura. (...) O nome verdadeiro é mistura. Agora, traçar, traçam, milho com trigo. (...) De 940 a 45, fizeram tanta traça nisso, tanta mistura, em cevada, trigo, milho, centeio. INQ1 Pois. INQ2 Olhe, então quando o senhor... INF1 (...) Vocês não conheceram isso. INQ1 Não. INQ2 Não. INF1 Não conheceram. Ah, que não conheceram sei eu. INQ1 Foi antes de eu nascer. INF1 Que não conheceram sei eu. INQ2 Eu ainda não era nascido, em 45, não era nascido. INF1 1940 INQ1 Nem eu. INF1 a 45, foi quando foi este escasseio. INF2 Para apanhar duzentas e cinquenta de pão, tinha que ter uma senha. Duzentas e cinquenta de pão cada pessoa, tinha que ter uma senha. INQ2 Pois. INF2 Três, quatro pessoas, quatro pessoas faziam um quilo de pão e, se fosse só um, levava só duzentas e cinquenta. INF1 Ora, para um trabalhador, para ir trabalhar, levar duzentas e cinquenta de pão! Isso ainda se fosse pão, mas nem pão era! INF2 (...) INF1 Era uma morraça, não valia nada. Está bem, eu não o comi mas vi muito. INF2 Era uma farelada.
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INQ1 Bom, então vamos lá ver, então... INQ2 Quando eles estão a trabalhar dentro da maceira, diz que estão a quê? INF1 Na maceira? Hoje, é com a máquina. INQ2 Ou do alguidar. INF1 Agora, no alguidar, era a braço de homem ou de mulher. INQ2 Diz-se que está a fazer o quê? INF1 À punhada. INF2 Assim. (...) INF1 Era à punhada. INQ2 Está a fazer o quê à...? INF1 À farinha? Primeiro punha-se-lhe água, depois mexia-se muito bem. Depois de a farinha mexida, está toda passada, depois, ia-se dando a punhada, para coiso. Depois, levantava-se as terças. INQ2 Levantava-se... INQ1 Sim. INF1 As terças. Pega-se aqui num bocado de massa, levanta-se e toca. Depois, levanta-se aqui deste lado, também . Depois, levanta-se deste lado, toca. E toca de dar punhadas e, depois, levanta-se deste lado, também . E vai-se dar a punhada (...) até ele aquecer. Depois de o pão aquecer, enxuga aquela água que se põe. Precisa de mais água, põe-se mais uma outra água e começa-se a amassar. Depois de ele estar amassado (...) - leva aí mais ou menos uma hora em amassar - tapa-se, põe-se o tendal por cima... INQ2 Põe-se o...? INF1 O tendal, um pano branco. INQ2 Pois. INF1 E depois põe-se a manta, para aquecer. O pão, depois, cresceu. Depois de crescer, tira-se a manta, tira-se a tal, põe-se no tabuleiro. Vai-se tender o pão e põe-se o pão tendido (...) no tabuleiro. E, depois, vai para o forno, para cozer. INQ2 Espere lá, espere lá. INQ1 Então, põe-se o fermento para o pão quê? Para... INF1 Crescer. O fermento é para crescer. Se não puser fermento, a massa (...) não cresce. INQ2 Olhe, mas diz-se que aquela massa está ali a...? INF1 (...) A crescer, está a fermentar. Está claro que a massa tem que crescer. Fermenta com o fermento. Leveda. Está a levedar. INQ1 Engraçado que aqui... INF1 Não é assim que está aí? Levedar. INQ2 Mas aqui costumam usar isso? Levedar, costumam dizer levedar? INF1 Pois. (...) O pão já está lêvedo. INQ2 O pão já está? INF1 Lêvedo. E muitos dizem: "Olhe, já está lêvedo demais, (...) já cheira a azedo". Quando ele estando demais, já cheira a azedo. INQ2 E a massa, também se pode dizer que a massa está lêveda? INF1 Pois, a massa também está lêveda. O pão quando estando lêvedo, (...) a massa é mais leve.
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INQ1 Olhe, então, depois de os pães estarem feitos, não é, a massa fermentou e não sei quê, tendendo e depois fazem-se os pães e depois onde é que...? INF1 Põe-se-lhe a pá e vai para dentro do forno. INQ1 Para? Para? INQ2 Para? Vai...? INF1 (...) Deita-se à pá e, depois, é que se põe (...) ...Coloca-se o pão no forno, lá dentro. Mas nem todos sabem fazer isso. Eu dito : "Ele que pegue o pão e ponha em cima da pá que eu vou à lenha quando é que fizer falta". INQ2 Olhe, mas quando, tem que se tirar aquilo tudo de dentro do, do forno? INF1 Não. Para se tirar e comê-lo , depois (...) de o pão estar lá, depois daí a bocado... INQ2 Antes, antes do pão? INF1 Antes do pão (...) , ardeu; transbraseou-se, depois varreu-se o forno. Depois de varrido, é que se põe o pão dentro do forno. INQ2 E não se passa com uma coisa para puxar as brasas? INF1 É o rodo. Isso é o rodo. INF2 Não é o rodo, é umas toucas. INF1 É o rodo e é as toucas. A última coisa a passar é as toucas. INQ2 Um é um rodo, dois são dois...? INF1 Rodos. INF2 Mas depois vai as toucas atrás. INF1 As toucas (...) é para varrer. As toucas é um trapo molhado (...) . INQ2 Como é que se chama? INF1 As toucas? É um trapo molhado numa vara. INQ2 Um só? Uma é uma? INF1 Touca. (...) Touca. A gente chama toucas porque é mais do que uma, mas é uma touca. Duas são toucas. INF2 (...) No Alentejo, chamam as barbas. INF1 É barbas , mas aquilo não tem barbas. É um trapo, molhado;chegou além varreu-se, tira aquelas brasas, tira aquela cinza, tira aquilo tudo, traz aquilo tudo. INF2 As toucas, chamam-lhe as barbas. INF1 Eles não sabem é nada . INQ2 Sim senhor. Olhe, o pão depois de estar feito põe-se aonde? INF1 Depois de estar cozido ou...? INQ2 Sim. INF1 Põe-se no tabuleiro, novamente. E, depois, vem para casa. E vai para o celeiro. INQ2 Vai para o celeiro? INF1 Pois. INQ2 Ah! INF1 Vem o pão para casa e, depois, vai para o celeiro. E, depois, a gente quando quer pão, vai buscar ao celeiro. INF2 Uma casa de despensa. INF1 Não. É uma despensa, mas chama-lhe a gente... Antigamente, chamavam-lhe o celeiro, hoje é que já se chama, toda a gente chama despensa. INQ2 Uma despensa. INF1 Mas antigamente não. Antigamente, era o celeiro. Ali se juntava o grão, ali se juntava o trigo, ali se juntava o feijão, ali se juntava o milho, ali se juntava a cevada e ali se juntava tudo.
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INQ Olhe, uma terra toda plantada de sobreiros, é um quê? INF1 É uma propriedade de sobreiras. INF2 Uma terra de sobro. INF1 Uma propriedade de sobreiras. É uma propriedade de sobreiras. INF2 De sobro. INQ Sim senhor. Olhe, aqui, aqui há muitas terras assim de...? INF1 Ai, há aqui algumas, sim. INQ Sim senhor. O fruto da, do... INF1 A lande. INQ E dá várias vezes por ano ou não? INF1 Não, dá uma vez só. INQ Só dá uma vez? INF1 Sim. INQ E chamam lande na mesma, é essa vez que dá que lhe chamam landes? INF1 É landes. INQ Sim senhor. INF2 Então e quando ela é posta de sobro - (...) com licença, desculpe a impressão - quando é posta de sobro, leva (...) uns quantos anos sem dar fruto de parte alguma. INF1 Pois, (...) enquanto são sobreiros não dão nada. Enquanto é sobreiros, não pode dar nada. INF2 (...) INQ Pois. INF2 Depois de ser tirada a virgem cortiça, é ir para o manso, segue dali, começa começar a dar, a dar. Que isso é uma coisa que (...) dá fruto mas é ao fim de a gente já se ter gasto é uma grande quantidade de anos. INQ Pois. Olhe... INF2 Isso não é para ir avançar caminho. INQ Pois. INF2 Agora, já só os nossos netos e trinetos. INF1 Não. Eu tenho já sobreiras, que já nasceram já em meu tempo e eu já tirei cortiça delas. Cortiça virgem já tirei. INF2 (...) A cortiça enquanto está virgem não dá lucro nenhum . INQ Já tirou a cortiça virgem? INF1 Pois, está claro. Que ela quando tendo de setenta centímetros de grosso, já se pode tirar a cortiça virgem.
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INQ1 Os homens que cortam essas placas de cortiça, utilizam alguma coisa para pôr em cima para, em cima a cortiça e depois cortar, ou não? INF1 Não. INQ1 Não fazem com... INF1 Só com a machada, só andam com a machada. INQ1 Sim senhor. Olhe, um sobreiro depois de já se, uma sobreira depois de já se ter tirado a cortiça, como é que se diz? Como é que se chama? INF1 (...) A sobreira depois de tirar a cortiça? É uma sobreira, fica sempre sendo sobreira, sempre à mesma. INQ1 Não dizem que já está...? INF1 Não senhor. (...) A sobreira é sempre sobreira. INQ1 Olhe e aquelas coisas redondas, que depois serve para beber água, que se... INF1 (...) Isso é o cocharro. INF2 Há coisas fantásticas ! INF1 (...) É um cotovelo, digamos assim. Porque (...) depois de tirar (...) a folha de cortiça, tem um cotovelo, a gente depois corta-lhe um pedaço e tira. Já tira o cocharro, pois. INF2 É um cotovelo, é o cotovelo da árvore. INF3 (...) Faz um cocharro para puxar para fora. INQ1 Sim senhor. INF2 Ele aparece por aí? INF1 Aparece. Ainda um dia destes, já eu estive com uns dois na mão. INF3 Com o quê? (...) INF2 Hã? INF3 O quê? INF2 Aí nessas serras também se sofre muito . INF3 Umas ceifas duras, hã? INQ1 Olhe e não se diz...? INF2 Não vou fazer esforço nenhum. INF1 Pst, escuta lá, aqui para a gente, (...) ou estamos com atenção a uma coisa ou com a outra. INF2 Oh! INQ1 Faziam também umas coisas de cortiça para levar comida ou não? Ou não utilizavam para aqui isso? INF1 Não, aqui não utilizavam isso, não. Agora é que já vão utilizando é barris - INQ1 Barris de cortiça? INF1 depois de fazerem os barris de cortiça - para levar a água. INQ1 Ah, sim. INF1 (...) INQ2 Mas aqui os, os trabalhadores...? INF1 (...) Isso é do Alentejo. No Alentejo é que usam umas marmitas, que a gente tem visto... INQ1 Mas aqui não usam? INF1 Não, aqui não tem usado nada disso, não. Agora é que vão usando aí é uns barris. INQ1 Olhe, então aquilo que serve para tapar as garrafas é, que se faz de cortiça...? INF1 É a rolha. INQ1 É uma rolha. Olhe e a outra árvore que é parecida com, INQ2 O sobreiro. INQ1 com a sobreira, mas que...? INF1 É (...) o azinho. É (...) a azinheira. INQ1 Aqui estão... INF1 (...) A gente chama-lhe chaparros, chama-lhe azinheiras. INQ1 O chaparro, o que é? INF1 É o chaparro, quer dizer, que é o princípio de uma azinheira. INQ1 Ah! Sim senhor. Não chamam carrasco? INF1 Uma azinheira é quando é já grande. INQ1 Não chamam carrasco? INF1 Carrasco é quando é pequenino. Quando é pequeno. INQ1 Portanto, primeiro é... INF1 Primeiro é o carrasco. INQ1 Primeiro é o carrasco. E depois a seguir? INF1 E depois é o chaparro. Depois é chaparro. INQ1 E depois é que é a azinheira? INF1 E depois é a azinheira. INQ1 Sim senhor. INQ2 E dizem azinheira ou azinho, é tudo a mesma coisa? INF1 É a mesma coisa. (...) É o azinho, porque a madeira corta-se, já deixou de ser azinheira, passou a ser azinho.
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INQ1 Era... A folha do pinheiro, como é que lhe chamam? Tem algum nome, ou não? INF1 A folha do pinheiro? INQ1 Aquelas coisas assim? INF2 A rama do pinheiro. INF1 É a rama do pinheiro. A gente chama-lhe a rama. INQ1 Aquelas coisinhas assim... INF1 Pois, é uma espécie assim compridinha , que (...) é dois engatadozinhos. INQ1 Isso. INF2 É a rama do pinho, homem. INQ1 Sim senhor. Olhe e quando está seca no chão? Chamam algum nome, ou não? INF1 Não. Depois aquilo é o 'rasquilho'. INQ1 É o? INF1 O 'rasquilho'. INQ1 Sim senhor. INF2 Quando está no chão, é 'rasquilho'. INQ1 Do pinheiro, também se tira outra coisa, faz-se assim um... INF1 O óleo . Ou coisa... INF2 A É resina. INF1 Não é resina, é uma espécie de pez. (...) Fazem-lhe um corte, dão-lhe uma machadada, assim, pois, (...) e depois põem-lhe uma pucarinha, uma coisa... Mas (...) isso é lá para o norte. Aqui não. INF2 O pez. (...) INQ1 Aqui não fazem isso, não aproveitam a...? INF1 Não, aqui não. INF3 Está bom? INF1 Vai indo. Deixa-te estar aí. Espera aí, (...) eu tenho de conversar . INQ1 Olhe, quando se está a fazer essa coisa no pinheiro, sabe como é que eles chamam, como é que os homens chamam a isso que está nesse...? INF1 Não. Isso, a gente aqui não usa a fazer isso. Isso é (...) lá para os do norte (...) é que podem dizer como é que se chama isso. INQ1 Olhe, então a madeira do pinheiro é o...? INF1 Sangrada. Isso aquilo... A madeira do pinheiro é o pinho. Mas chamam eles isso sangrar o pinheiro. INF2 Sangrar. INQ1 Mas aqui não se costuma, as pessoas daqui não, não costumam sangrar? INF1 Não, aqui não costumam sangrar, não. INQ2 Então e já agora, sabe como é que se chama a tigela por onde cai a resina? INF1 Sim, como é que se chama a... INF2 O que sabe ele disso ? INF1 (...) Isso não. Isso é coisa lá para o norte. Isso não é de cá . A gente cá não faz isso (...) . INF2 É um vaso, homem, é um pucarinho de barro. INF1 Oh, (...) é um pucarinho de barro (...) . INF2 (...) INF1 Isso também eu sei (...) que é sangrar. Agora, lá como é que eles chamam, lá dão o nome no norte, não sei. É isso que a gente precisa de saber.
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INQ E aquela coisa que serve para acender o lume? Para fazer lume? INF1 Isso era as pinhas, ou então rama. INQ Mas uma coisa que até se comprava, quem não tinha, tinha que comprar, o que era, para fazer o lume, em casa? INF1 (...) A gente aqui nunca precisou comprar para acender o lume. A gente vai buscar aí mato, traz-se sargaços, INF2 (...) INF1 traz (...) daros , INF2 (...) INF1 traz qualquer um. Qualquer qualidade de mato serve (...) para acender o lume. INQ Não chamavam lenha? INF1 Lenha é quando é já para queimar, que já não é para acender. Isso é já para fazer fogo. INQ Chamavam como, diga? INF1 Lenha. Diz-se : "Vai-se buscar um feixe de lenha". INF2 Lenha. Pode ser urzes, de qualquer maneira. Rasmono. INF1 Pode... Não. Pode ser lenha de carrasco, ou de folha de farroba, farrobeira, pode ser de amendoeira. INF2 Iscas, também. INF1 Ah, mas isso é para acender. Agora para fazer fogo, para fazer fogo é de azinho... INQ Pois e é isso. Para acender também, para acender como é que usam? INF2 Isso está-lhe ela a procurar. Isso está-lhe ela a procurar . INF1 Hã? Não. Hã? INQ Como é que chamam a isso que serve para acender, que é assim aquelas mais pequeninas? INF1 É acendalhas. É a acendalha. INQ Sim senhor. Olhe, e, portanto, um homem vai, portanto, um traçador, tem um bocado grande, não é? Chama-lhe como, um bocado grande de árvore? INF1 É um pedaço de pé. INQ Chamam como, a esse bocado? INF1 Um pedaço (...) ou de azinho (...) ... Tem aqui (...) um traço de azinho ou tem um traço de sobreiro ou tem de... INQ Olhe, então pronto, pois. Então e ele depois mete uma coisa... INF1 A serra, a machada, o machado? INQ Sim. E faz o quê? INF1 São para fazer rachas. Com o machado só para o que serve é para fazer rachas. INF2 A rapariga quer saber de mais alguma coisa, eu posso-lhe dizer. INQ Sim. É isso. INF2 Há um podão, está a perceber? E antigamente havia (...) uma porrada como nós lhe alcançámos e havia um podão, está a perceber ? INF1 Isso é para limpar, isso é para limpar. Mas eu aqui não estava dizendo para limpar. Estava dizendo é para traçar e para rachar. INF2 É para limpar (...) . (...) Eu só me falta saber ler. INF1 Quando se pergunta para limpar é uma coisa. INF2 Há quem compreenda o que eu quero dizer (...) . INF1 Pois, também eu compreendo o que tu dizes. Já sei o que é, que eu não te disse logo que era é para limpar? É quando um homem anda limpando uma oliveira ou uma amendoeira, tem o podão, (...) ele chega a certas partes, ou corta para cima ou corta para baixo. INF2 Estás a falar bem . INF1 É. INQ Já lá vamos a isso também. INF2 Está a falar bem. INF1 (...) Isso que tu dizes também eu sei. Agora, o que a gente aqui estava (...) a falar é: traçar o pé da árvore. Hoje, já têm um aparelho, a máquina, a serra eléctrica, que já não dá esse trabalho que dava antigamente. Antigamente, era com um serrote, um serrote de traçar, (...) ou então com uma machada. Com uma machada, com um machado!
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INQ Como é que...? INF1 Há carvão de vento e há carvão tapado na da terra, está a perceber? INQ Pois. INF1 O carvão de vento - este homem não sabe explicar; esse sabe, não quer é dizer - o carvão de vento é trabalhoso. INQ Já ontem explicou também. INF2 Eu já expliquei isso ontem, homem. Eu já expliquei isso ontem. Não quero explicar aquilo que se (...) explicou ontem, porque a gente temos que ir fazer outra coisa. INQ Explicou, sim senhor. Olhe, mas diga-me uma coisa. INF1 Certo. Certo . Como é que você explicou o tal carvão de vento? INF2 Como é que se explicou? É do de urze. INF1 De urze, de urze. INF2 É o de urze. E qual é o carvão bom de urze? INF1 (...) Você não sabe explicar. INF2 Qual é o carvão bom de urze? Eu não sei explicar e sei qual é o que (...) é bom e qual é que é o ruim! INF1 Então, como é que isso é feito? INF2 Não sei, vê lá. Em Quando me ele indo ali à forja, (...) já eu digo logo o que é... INF1 Ora... Eu sou uma criança, com quarenta e dois anos e havia de eu não saber isso! Uma cova no chão, cepas de urze, toca aí, limpa-se aquelas urzes, vá as cepas para o moitão, vá fogo . INF2 (...) E não vai mais nada? INF1 Vai. INF2 Não tem que levar uma machadada em cada cepa, não leva (...) uma peta? INF1 Isso é que fazem falta; que não fazem falta, não vai. INF2 Para quê? Para cozer? Para cozer, para arder. INF1 (...) Havia um alferce, levava um alferce, com um olho do feitio de machada. INF2 A peta. INF1 Está a perceber? INF2 A peta. INF1 (...) Espere aí, patrão. INF2 Ora, vê lá bem! Ora, vê lá! INF1 Espere aí, que eu sei o que estou dizendo. INF2 Ah, tu sabes e os outros não sabem?! INF1 Espere aí. Faz-se aquela cova, depois vá, ali bem aquilo bem ajeitadinho, aquilo vão ardendo e depois ainda vão batendo nelas, vão batendo nas cepas. Estão ardendo e vão batendo nelas. INF2 Não toques é aqui ! E depois é espalhado que é para... Que é para quando estar ... INF1 Vão batendo, vão batendo, vão batendo e depois quando estar muito em brasa... Depois (...) há uma vara, fazem uma vara até da urze - uma vara, chamam chamam-lhe uma vara, até que é quase de varejar, de se varejar alfarrobas ou azeitonas ou uma coisa qualquer, ou amêndoas, isso não conta, ou figos, uma coisa qualquer. Depois, essa vara, quando aquilo estar aí (...) bem batido, joga-se para ali umas pás de terra e, depois, vai-se desmanchando, pouco a pouco. Quer dizer, (...) umas camadinhas de terra. Quando ser sendo apagado com terra, é uma categoria de carvão. Quando ser água, ali já não presta. INQ Pois. INF1 É mais fraco. (...) E temos problemas, está a perceber? INQ Sim senhor. Olhe e o, essa, o, esse, INF1 Que nisso, trabalhei eu. INQ essa carvoeira que se arma, deixa-se algum buraco, não? INF2 (...) Deixa um maço, deixa um ouvido, deixa uma boca para dar fogo e deixa (...) conforme o que está debaixo da terra. INF1 Sim. Dois ou três ouvidos se fazerem falta, (...) conforme a madeira que está lá debaixo da terra. INQ Olhe, então digam, só um de cada vez, a boca onde é que é que se deixa? INF2 A um lado. INQ E os ouvidos? INF2 Deixa também dos lados. INQ Mas é diferente, a boca é diferente dos ouvidos, então? INF2 Pois é. INQ Como é que...? INF2 A boca faz uma espécie de quadrado. INQ Pois. INF2 E os ouvidos é um buraquito redondo que eles deixam (...) para resfolgar. INQ Sim senhor. INF2 (...) Senão (...) não ardia, não cozia o carvão. INQ Então e quando, quando o carvão está feito, quando os senhores sabem que o carvão já está feito, como é que...? INF2 (...) Tapam aquilo tudo e, depois, batem e já sabem se está ou não está cozido. Os homens (...) batem e já sabem se está ou não está cozido. INF1 Batem. INQ Sim senhor. E, portanto, quando já está cozido tem que se...? INF2 Depois é (...) esborralhado Depois é que é esborralhado . INF1 Mas batem, ou quê ? INF2 Hã? Então não batem? (...) INF1 Ele acabou de arder, deixou de fumar, meu grande amigo. INF2 Pois Depois isso tem que o tapar (...) . INF1 Onde é que se dê - é o que a senhora está a falar (...) - onde é que se dê a boca, depois deixou-lhe um ouvido. Conforme a maneira de ele ser carvoeiro pequeno , também convém dois ou três ouvidos ao lado. INF2 Pois. INF1 Na cabeça (...) da carvoeira, está a perceber? Chama-se uma carvoeira. Na cabeça da carvoeira. Deixou-lhe aqui, quer dizer, com licença... É Eu assim e aqui em cima, com licença, aqui leva, quer dizer, uma feitio de laja. Até pode ser duas, três, quatro, cinco pedras. Está a perceber? É um ouvido. Chama-se um ouvido. O resfolgadouro, vá, da carvoeira! Aqui leva outro e aqui leva outro e aqui vê-se fogo. Nós, vamos buscar uma mão-cheia de palha (...) ou de rama, INF2 (...) . INF1 qualquer coisa que não se põe dentro . Depois, há umas bancas que se levanta com o alferce, do feitio deste papel e tapa-se, para não afogar a carvoeira. (...) Se ela é afogada, pois ela é afogada, não ardeu. INQ Pois. INF1 É que nem não pode arder, pois ela afogou-se com a terra. Mesmo a terra fina vai, mata o fogo, está a perceber? E não dá nada. Morre logo, está a ver? E então, nessa altura, como a gente faz? Trabalhou, tapou-a, aqui são os resfolgadouros, quer dizer, que é... INF2 Pois é os ouvidos. INF1 Onde é que está o vento, aquela coisa; a gente marca onde é que está o vento, aquela coisa e, depois, aquilo vai andando. Depois, a lenha vai arder apagada, apagada, apagada, sempre apagada... E, depois, quer dizer, isto é um isqueiro, (...) for indo apagada e fez um carvão. Se o patrão que a enfornou ser bom, perceber bem do que está a fazer, pois ficou o madeiro tal e qual a um carvão. INQ Pois. INF1 E ali arranja muito carvão. No caso que não seja assim, pois, aquilo fez-se um moitão de cinza. Não tem problema. Não tem problema nenhum. INF2 Pois é . Se não saber (...) enfornar, aquilo arde a que ele arda tudo. INF1 Deixa estar o resfolgadouro - chamam-lhe chama-lhe o resfolgadouro. É como nós, quando está a dormir ou como (...) com falta de respiração, é a mesma coisa. Tem que ter uma respiração (...) INQ Sim senhor. INF2 para ser queimado, bem entendido, para respirar. Eu não sei ler, homem, mas porque eu ... Falta-me o estudo. Eu tenho lá uma filha e um filho que gostava que eles andassem para a frente, que soubessem mais que a minha raça toda. (...) Isso sempre eu desejo.
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INQ1 Então, os cabritos, quando são pequenos, o que é que eles mamam nas mães? INF1 Mamam nos tetos da mãe. INF2 Mamam o leite, homem. INF1 O leite. INQ1 O que é que eles bebem? INF1 Bebem o leite. INQ1 Pois claro. Portanto, quando, quando nós vemos um homem a tirar o leite a uma cabra, INF1 A uma cabra? INQ1 dizemos que ele está a quê? INF1 Está a roubar, está a roubar o chibo. (...) INF2 Não, não. INQ1 Lá está aquele homem a...? INF1 A ordenhar. Mas há muitos que roubam. Assim que os filhos nascem, começam logo a roubar um pedacinho de leite, para ir vender (...) . Vai roubando logo os chibos. INF2 Então e para ir beber, não pode ser também? INF1 É, mas (...) eles roubam mais depressa para ir vender. Agora não, agora (...) já roubam para ir beber. Mas antigamente - como eu conheci muitos - roubavam para vir vender. Às vezes, vinham vender dois, três litros de leite, para comprar pão ou outra coisa qualquer. INQ2 Olhe e ordenha-se para dentro de quê, por exemplo as... INF1 Duma marmita ou dentro dum ferrado. (...) Quando é muito, é para dentro dum ferrado; se é pouco, mesmo dentro duma marmita se eles governam. INQ1 Pois. Olhe, diga-me uma coisa, junto dos, do redil, do curral, às vezes há um corredor estreito. INF1 Não, aqui não. INQ1 Aqui não. INF1 Aqui não. (...) Isso usam isso é no Alentejo. INF2 No Alentejo é que usam (...) . INF1 No Alentejo é que usam isso, aqui não.
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INQ A galinha onde é que põe os ovos? INF Onde é que a galinha põe os ovos? Põe no ninheiro. INQ No? INF No ninheiro, é onde é que ela costuma a pôr. Costuma sempre a pôr no ninheiro. E outras (...) não têm lugar certo.
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INQ Como é que se chama aquele animal que é costume comer-se na noite de Natal? INF1 Isso costumam a dizer, quase sempre, que é o galo, ou a galinha. INF2 Não, isso é a Páscoa. INF1 Não. Não senhor. INF3 Pelo Entrudo é que fazem isso, comem o galo. INF2 Não é o peru? INF1 Isso o peru, isso (...) é moderno. Isso o peru, agora é moderno, há para aí meia dúzia de anos para cá. INF2 No Natal, no Natal comem castanhas e boletras. Assado nas brasas. INF1 O peru? (...) Isso era dentro da igreja é que a gente comia, lá (...) na missa do galo.